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sexta-feira, 13 de março de 2009

Sublime!

Ontem, no primeiro dia da Moda Lisboa, Alexandra Moura apresentou a sua colecção Out/Inv '09 inspirada numa tribo Etíope.

(Arquivo Moda Lisboa/Estoril, Photos: Rui Vasco)


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Mudança no mercado?

Hoje passei pelo Fashion Tv para ver os últimos desfiles da semana da Alta Costura em Paris.

Entre os muitos que vi, o que mais me chamou a atençao foi o do Eric Tibusch, onde para além de ter amado a colecção, nesse mesmo desfile (pelas minhas contas) participaram pelo menos 4 modelos negras...

Uma delas - a do vestido lilás na foto (que por acaso participou na última Moda Lisboa PV '09) - pareceu-me ser a responsável pela coreografia, pois aparecia em vários planos a demonstrar as poses e formas de andar às restantes modelos.

Fiquei surpresa e ao mesmo tempo feliz por ver as nossas sisters em maior numero que o normal (uma por desfile)...

Ainda não dá para lançar foguetes, mas já se sente o Obama a invadir a Europa!
Paz a todos!

Blakie

(Photos EPA)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Porquê?


Hoje decidi sair do mundo das mulheres na moda e avaliar o que se vai passando na moda quando se fala de manequins negros.
Pensei: "Se nós, as mulheres nos queixamos, vamos lá ver o que se passa com os nossos brothers"!
Infelizmente a situação só piora!
É claro que sabemos que no universo da moda, as mulheres trabalham e ganham mais. 
Como mulher, não posso deixar de gostar um pouco dessa condição, mas não quero exaltar a minha felicidade XX contra o género XY. 
Quero apenas assinalar mais uma vez a discriminação que é feita aos modelos negros!
Nesta notícia que vos deixo em vídeo (por favor, vejam!) está bem analisada a condição dos manequins negros no mercado da moda. 
Independentemente das qualidades físicas (entre as muitas exigidas no meio), parece-me estarmos  sempre num vão combate em busca de um reconhecimento que nunca chega a ser o que julgo que tantos modelos negros ao longo de décadas mereceram e continuam a merecer!
Por vezes pergunto-me se vale a pena o esforço para nos mantermos no mercado da moda europeu e americano... 
No mercado americano, convém ter em conta a existência de algumas revistas especificas para negros como a Ebony (entre outras) que forçaram o mercado à utilização de modelos negros nas suas publicidades como condição para serem aceites nas suas revistas. 
À Ebony e restantes HOLLA!
Talvez um dia se faça um filme sobre nós. Até lá, apenas agradeço aos jornalistas que não nos deixam morrer em vão...

Blakie

sábado, 1 de novembro de 2008

O nosso 1º casting

DESCRITIVO

Blakie
Ano: 1992
Tipo de casting: Desfile
Local: Lisboa

Afro
Ano: 2001
Tipo de casting: Anúncio de TV
Local: Lisboa

A NOTÍCIA

Blakie
Estava ainda em formação de manequim, e o meu professor – uma pessoa muito influente no meio - decidiu que deveria ir a um casting. Quando recebi a notícia fiquei super feliz, mas logo assustada, porque o casting seria com o que era considerado na altura o “Diabo da moda”. A sua fama era de maltratar os modelos e que de ter um prazer enorme em destruir a auto-estima de qualquer pessoa com quem trabalhasse.
Boa maneira de começar a trabalhar!

Afro
O meu primeiro casting foi uma pilha-de-nervos. A agência ligou-me 2 dias antes a dar a morada e as indicações necessárias. Uma das indicações era roupa colorida, eu naquela altura só me vestia de preto (o que não mudou muito entretanto =) ) ou então com roupa desportiva falei com a minha madrinha para me ajudar a escolher uma roupa par a o dia do casting. Ela decidiu fazer-me umas calcas a condizer com um top cor-de-rosa que eu tinha. Tínhamos pouco tempo então ela lá arranjou um tecido cor-de-rosa bebé (que breguice, lol) fez-me as calcas usando um modelo do único par de jeans que eu tinha, e colamos umas estrelas e umas meias luas. (Ainda tenho as calcas armazenadas).

CHEGADA AO CASTING

Blakie
No dia definido para o casting à tarde, segui com a minha irmã até à FIL, acreditando que a minha vida profissional iria mudar nesse dia. Estava a caminho de um casting com um dos principais produtores de moda em Portugal!
Chegada ao casting, percebi que aconteceria numa sala enorme demais para a minha coragem.
Corri para o quarto de banho a ver se me havia escapado alguma coisa. Lá estavam duas “Tops” do momento a corrigir as olheiras e cabelos. Não me dirigiram a palavra e decidi apenas observá-las pelo canto do olho, fazendo de conta que também tinha imenso para arranjar. Eu tinha apenas a minha cara lavada com sabonete e creme nívea. Sobrancelhas, as mesmas de sempre. Maquilhagem, inexistente! Na cabeça, um totó minúsculo no topo, muito mal domado pela falta de desfriso! Não me lembro do que tinha vestido, mas seria certamente preto, a cor mais dominante do meu guarda-roupa na altura.
Depois de muitas voltas no WC, lá decidi avançar para a sala do Inferno. A sala de casting era enorme com uma profundidade de pelo menos 10 metros, dividida por duas colunas de cadeiras praticamente repletas de modelos. Ao fundo, uma mesa onde estava o “Diabo” ao centro, rodeado pelos seus discípulos.
As duas Tops do WC já se tinham unido aos restantes Tops da altura e todos tinham uma postura super confiante que decidi estudar até à medula. Não sabia até à altura o que era um casting, mas iria aprender nesse dia!
Avançamos pelo corredor central o único e durante o caminho senti de frente o olhar curioso do “Diabo” e por trás os restantes olhos colados ao meu pescoço. Ou seria ao totó ridículo?
Sentámo-nos na coluna da esquerda, na fila da frente e esperamos a nossa altura para mostrarmos o que valíamos.

Afro
Passados dois dias lá fui, toda contente com as minhas calcinhas "made in Outurela"!
Cheguei ao casting e estava lá imensa gente da agência, a Y., o BR, (ambos acabaram por apanhar o trabalho), o AC., o O. Eu tinha a mania de usar o cabelo apertadíssimo e colado a cabeça. Assim que me viu, o AC ficou chocado e mandou-me ir a casa de banho molhar o cabelo e solta-lo, foi o que fiz. Quando cheguei cá fora a Y. deu-me um conselho muito útil :"Não os deixes brincar muito com o teu cabelo nem desfrisar, conselho de quem já passou por isso" eu fiquei chocada por ela dizer aquilo, pois o meu sonho era ter o cabelo liso.
Pus os meus únicos saltos altos que tinha comprado na Berska (era a única loja que tinha numero 41), não combinavam com a roupa mas era o que havia...

O CASTING

Blakie
Durante mais de uma hora vi vários manequins avançarem para a mesa. Todos eles tinham o objecto mais precioso de um manequim: O book. Eu e a minha irmã tínhamos apenas a cara e a coragem.
Percebi que os mais conhecidos ali estavam apenas para marcar o ponto, (ou seria um acto masoquista do “Diabo”?) e saiam do casting com um ar seguro, certos de estarem confirmados para o trabalho…
Passada bastante tempo, já a sala estava praticamente vazia, o “Diabo” levanta-se e decide “desfilar” pelo corredor central olhando de forma altiva e snob para os restantes pobres que aguardavam pelos seus “15 minutos de hipótese”.
Nós que estávamos sentadas mesmo à frente ouvimos apenas o seguinte: “Não muito obrigada.”!
Nunca me senti tão humilhada por ninguém, mas saí da sala de cabeça erguida!
Não tive a hipótese de demonstrar nada do que havia aprendido até então e tinha apenas gasto o meu tempo e parte dos meus sonhos…

Afro
Chamaram o meu nome e aí a porca torceu o rabo! Comecei a transpirar e a ficar nervosíssima! Entrei na sala, uma senhora muito simpática, e um Camera-man, pediram-me que me apresentasse (nome, idade, agência) e ligaram o rádio com música techno (que ate então não fazia parte da minha playlist) e pediram-me que tirasse os sapatos e dançasse como uma louca, e ao pé-coxinho! Nesse momento todos os musculos do meu corpo bloquearam e fiz a danca mais ridicula de todos os tempos AO PE COXINHO E A OLHAR PARA CIMA!!! Quem me dera apanhar essa cassete..., e ela so me dizia:"Relaxa Afro, relaxa!", "Descontrai!" e eu a saber que estava a fazer figura de parva parei, e pronto fui-me embora a corar por todos os lados.

CONCLUSÃO

Blakie
Decidi que jamais voltaria a fazer um casting para aquele cliente em específico… Um ano e meio mais tarde saída de um desfile, ele veio ter comigo e disse o seguinte: “Você tem que fazer o meu desfile”. É claro que acabou por pagar muito mais do que era suposto na altura... Como dizem os chineses "A vingança é um prato que se come frio"! Há coisas fantásticas, não há?

Afro
Obviamente não apanhei o trabalho e cada vez que tinha castings para comerciais, ou não ia, ou ficava nervosa e corria-me super mal!

Blakie & Afro