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domingo, 26 de abril de 2009

Sim, nós temos!

A eterna questão à volta dos cabelos dos negros é um assunto que sempre me irritou! Durante séculos, as mulheres negras foram obrigadas a cobrir os seus cabelos, porque o colono não suportava sequer olhar para eles. Felizmente essa época já acabou, e hoje acredito que temos todos o direito de usar sobre os nossos corpos o que bem nos apetecer...

Facto. Quando uma mulher negra aparece com o cabelo bem penteado, volumoso e brilhante é sempre motivo de curiosidade e consequentemente da mesma pergunta vinda da maioria dos presentes (se forem todos europeus): "Esse cabelo é mesmo teu?" Porque será que os Europeus continuam a acreditar que as pretas não têm cabelo e que a unica forma de terem algum é usando extensões?

No meu caso pessoal, já ouvi essa pergunta usando e não usando extensões e quando a resposta é positiva - para o curioso(a) - a pergunta que se segue é a mais irritante de todas. "Porquê que usas extensões? O teu cabelo não cresce?"

Eu acho sinceramente que quem ainda se atreve a fazer essa pergunta é que precisa de crescer...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Poor Tyra...

A comunidade negra nos Estados Unidos está chocada com a Tyra Banks.

Ela esteve presente num evento da HRTS usando uma peruca muito mal amanhada e com um ar demasiado falso. Agora chamam-na de Dollhead (cabeça de boneca)... Que maldade!

Não é a primeira vez que oiço falar do cabelo da Tyra. Já chegaram a dizer que ela não tem namorado porque tem vergonha que a vejam sem as perucas. WTF? Cada um com a sua paranóia... Os mais radicais, chegam a dizer que ela não respeita a sua etnia por não usar o cabelo natural... WTF?

Se querem saber a minha opinião, acho que ela tem o direito de usar o cabelo como bem lhe apetece. Não creio que o deixar de usar o nosso cabelo "au naturel" nos retire identidade cultural, étnica, etc. Um assunto a ser abordado um destes dias... Mas concordo com o aspecto demasiado falso desta peruca!
Tyra, please! You have money! Do something!
Peace.

domingo, 2 de novembro de 2008

Diário dos nossos cabelos I

Enquanto era criança, usei o cabelo de várias maneiras. Curto, médio, afro, carrapitos, tranças, you name it!
Eu era demasiadamente Maria-rapaz, e por isso quando chegava a hora de me pentear, a minha mãe normalmente optava pelas famosas “tranças de bailundo”. Para quem não sabe, são aquelas tranças que se tornaram num “must” nos anos 70 com a Bo Derek (no filme “Mulher de sonho” - mulher linda!, verdade seja dita) que são actualmente mais conhecidas por serem um dos penteados de eleição da cantora, Alicia Keys.



A chegada da “cabeleireira” à nossa casa - normalmente uma tia ou prima que sabia “trançar” bem - era como que um prenúncio ao cabo das tormentas.
Durante alguns minutos (que pareciam horas) os nossos cabelos eram desembaraçados (ai!), puxados (ai!), apertados (sim, bem apertados para a trança durar... Ai!) e trançados num desenho básico em linhas verticais da testa até à nuca!

Como se não bastasse à noite ainda tínhamos que dormir com as meias de nylon velhas (da mãe, avó ou tia), para que as mesmas durassem ainda mais tempo nas nossas doridas cabecinhas… É claro que como boas crianças que éramos, acabávamos quase sempre por as retirar durante a noite o que só antecipava ainda mais uma nova visita da “cabeleireira”.

Estávamos nos anos 80 e eu já estava na escola, quando a minha mãe faz uma viagem até a Brasil. Daddy on charge… Pânico geral!!!

Pergunta: Alguém viu o episódio do Bernie Mac (we miss you!), quando ele tem que pentear a sobrinha? Aquela criança ao colo do BM sou eu!

Depois de muitas tentativas falhadas do meu adorado pai, ele decidiu que eu ficava linda de afro! Na altura, o “Curl” (técnica de alisamento seguida de uma permanente… O Michael Jackson é o grande culpado desta moda!) era o estilo/penteado que “estava a dar” e eu não queria ser a única com um bidé na cabeça! O meu pai por ser uma pessoa que adora pregar partidas lá foi comigo divertido até à escola… Só faltava o pente de pau enfiado no cabelo para afirmar a “firmeza” do meu afro!


Já chegada à escola, decidi que iria esperar que ele partisse até poder mudar o penteado sem que ele notasse, mas não sabia que era apenas uma criança e que ele nunca me deixaria à porta da escola sozinha… Resultado, tive que entrar na escola de afro. Como sempre fui muito magrinha, parecia aqueles bonecos americanos, os Bobblehead... Era só cabelo!!!


Lá tive de entrar na escola com o penteado e mesmo tendo tentado alterá-lo ao longo do dia, de nada me serviu porque ia ficando cada vez mais ridícula.
Quando a minha mãe finalmente voltou do Brasil voltei às tranças e passei a adorar o martírio dos puxões e das meias de nylon!

Hoje, depois de muitas experiências com o meu cabelo - do afro ao rapado já usei de tudo; aventuras outro “post” do diário - vejo as coisas de forma completamente diferente e adoro qualquer tipo de penteado, desde que, obviamente, funcione com a nossa estrutura de cara.

Como diz um tio meu:
“ O nosso cabelo é o melhor do mundo porque podemos usá-lo de qualquer maneira!”
Resumindo: We're one of a kind!

PS: Desafio qualquer pessoa caucasiana /asiática/india /indiana a aparecer de carapinha! Daquelas “mola de isqueiro”, MESMO!
Peace!
Blakie

Diário dos nossos Cabelos


NAO SOU O MEU CABELO!


Afro


back in the day:


Tudo começou quando era miúda, queria ter o cabelo igual ao das minhas amigas caucasianas, lisinho e comprido. A minha mãe para não ter muito Trabalho, pedia a uma vizinha que me fizesse trancas, eu chorava imenso porque ela as apertava demais! O pior era quando o meu pai tinha que me pentear, limitava-se a desembaraçar-me o cabelo e não o prendia, ou seja resultado : JUBA GIGANTE!
A gota de água foi quando a minha mãe me mandou para a escola com dois totós gigantes, um em cada lado da cabeça, com direito a risco ao meio! Cheguei à escola e a primeira coisa que me chamaram foi "Minnie Mouse"! Odiei!

Fashion:

Mal sabia eu que anos mais tarde o meu cabelo viria a definir a minha profissão...
No Mundo da Moda nunca ouvi uma pessoa a dizer que não gosta do meu cabelo! "UAU, QUE JUBA" ,"QUEM ME DERA TER O TEU CABELO","ARRASAS COM ESSE VOLUME"! Estas pessoas não fazem ideia o Trabalhão que dá manter o cabelo saudável, desembaraçado e bonito… Tudo ao mesmo tempo!

No meu primeiro desfile na Moda Lisboa, achava eu que ia ser fácil para o meu cabelo, soltavam-no e já esta! Enganei-me!
Desfile da Lena Aires, calhou-me um cabeleireiro muito conhecido na nossa praça que tinha Fama de ser o "El Matador", no pior sentido do nome! Olhou para o meu cabelo e disse: "Tenho que aLisar isto." Eu até fiquei contente, porque sempre quis o cabelo liso. não fazendo ideia do que me esperava ...Assim que me mete um pente no cabelo e começa a pentear a partir da raiz...eu pensei "É o meu fim! "
O senhor queria à forca desembaraçar o meu cabelo ,como se faz com uma pessoa que o tenha liso! Afro hair tem que ser começado nas pontas e ir subindo gradualmente! O senhor, ou não fazia ideia, ou não estava para se incomodar! Isso não foi o pior...o pior foi quando começou o processo de esticar, o secador no volume máXimoo ou seja a ferver! Uma escova cilíndrica e vai de começar a esticar! Foi a coisa mais dolorosa de sempre, já estava com lágrimas nos olhos, a Blakie passou por mim e perguntou:"O teu cabelo era mesmo para esticar?" e o senhor respondeu por mim:"Sim claro! Como todas as outras!" Depois da tortura fui te com a designer para ver se ela aprovava o look, olhou para mim com um ar confuso, e disse:" Eu queria o teu cabelo natural! Mas pronto agora fica assim!" O senhor ficou eternamente na minha lista Negra!


No desfile seguinte Cravo/Baltazar pediram-me que fosse a casa de banho molhar o cabelo para ficar natural! Escusado será dizer que o fiz um pouco contrariada, tendo em conta a tortura que passei. Enfim, isto já foi há muitos anos, hoje em dia em Portugal não muito mudou! A malta é um bocadinho preguiçosa, olham para o meu cabelo e dizem,"Esta bom assim!" Cambada de preguiçosos, não percebem que com paciência tudo se resolve!

Nowadays:

Isso foi até a Blakie decidir que eu deveria surpreender tudo e todos, e há 3 edições atrás fui a casa dela para um simples corte de cabelo (confio o meu cabelo a muito pouca gente, mas ela sabe o que faz, right Blakie?). Para cortar o cabelo certinho ela teve que o esticar primeiro, com muita paciência, música e comida à mistura! Passamos pelo menos 4 horas a domar o "animal" e ela sugeriu-me que aparecesse na Moda Lx com o cabelo esticado, e foi o que fiz, para surpresa de todos. Os cabeleireiros todos adoraram, e eu também, porque ia ter o mesmo penteado que todas as outras modelos.


No país onde vivo tudo é diferente, porque há imensos produtos para o meu tipo de cabelo, e pessoas cheias de vontade de "brincarem" com ele! Aqui se faço um desfile ou uma produção de Moda, só vou com o cabelo natural se a marca em questão assim o desejar, nunca é por preguiça do cabeleireiro. Há 4 semanas tive a sorte de ter o cabelo cortado pelo cabeleireiro das estrelas Orlando Pita, que cobra 800 dólares por corte, a mim não cobrou nada porque foi para uma revista, que sorte que tive! Super paciente, cuidadoso e acima de tudo curioso, perguntou-me que produtos uso, qual a melhor forma de chegar ao resulto x, y, z com o meu cabelo, e deu-me imensos conselhos!


Conclusão : com o cabelo liso, encaracolado, ondulado ou afro, é sempre preciso paciência e acima de tudo cuidado.
O cabelo não nos define, é apenas um "acessório" na nossa "moldura". =)
Apesar da relação amor-ódio que possamos ter com o nosso cabelo, devemos sempre estar orgulhosos do que temos pois faz paz da nossa herança genética.